Como montar uma carteira de ações bem diversificada?

por | abr 8, 2022 | Educação Financeira

Mesmo com os juros altos e a renda fixa mais atrativa, investir em ações passou a ser uma opção mesmo para os investidores mais conservadores.

Por isso, é fundamental diversificar a carteira de ações, para que sua estratégia de lucrar mais com ações seja vencedora.

São três circunstâncias básicas que você deve avaliar para diversificar corretamente a sua carteira de ações: os setores da bolsa, a análise de ações e a diversificação internacional. Vamos ver mais sobre isso a seguir.

Setores da bolsa

São 10 os principais setores da empresa, classificados na bolsa de valores. É muito importante conhecer esses setores para antes de investir nas empresas, pois nada adianta, por exemplo, ter três ou quatro empresas na sua carteira, mas todas serem do mesmo setor.  São eles:

  •         Bens Industriais: são companhias que estão diretamente envolvidas na produção de bens de capital, serviços de transporte e infraestrutura e é o maior setor da bolsa. Azul, Embraer, Gol, Weg são alguns exemplos de empresas desse setor.
  •         Comunicações: esse setor é subdividido em mídia, telecomunicações, telefonia fixa, produção e difusão de filmes e programas. Alguns exemplos são Oi, Tim, Telemar.
  •         Consumo cíclico: engloba bens de consumo não essenciais. São empresas que sentem mais os efeitos de crises econômicas, pois seus produtos são os primeiros a deixarem de ser consumidos. Algumas empresas desse setor são: Magazine Luiza, Via Varejo, Vivara, Arezzo.
  •         Consumo não-cíclico: essas empresas são menos sensíveis aos ciclos econômicos. São as empresas de alimentos, bebidas, como Ambev, Camil, JBS.
  •         Saúde: Grandes empresas recentemente fizeram IPO na bolsa e esse setor abrange empresas de planos de saúde, comércio e distribuição de medicamentos.
  •         Financeiro: também é bem representado na bolsa de valores. São os bancos, corretoras, seguradoras, empresas de previdência e do ramo imobiliário, como o Itaú Unibanco, Bradesco, Shoppings, etc.
  •         Petróleo, gás e combustíveis: a Petrobrás é a principal representante na bolsa de valores nesse setor.
  •         Materiais básicos: a Braskem, Klabin, Siderúrgica Nacional e Gerdau são algumas das companhias de materiais básicos, pois fornecem insumos para outros setores, como minérios, produtos químicos e embalagens.
  •         Tecnologia da informação: é um setor pequeno na bolsa de valores, podendo ser dividido em duas subclassificações: computadores/equipamentos e programas/serviços. Positivo, Locaweb, Totvs e Uol são alguns exemplos de empresas listadas na bolsa desse setor.
  •         Utilidade pública: é composto por companhias estatais, e contempla a prestação de serviços públicos como água, energia e saneamento. Algumas dessas empresas são AES, Sul, Cemig, Sanepar e Eletropaulo.

Análise de Ações

Agora que falamos sobre como são classificadas as empresas na bolsa, é hora de analisá-las para formar sua carteira de ações. Existem dois tipos de análise: a análise técnica e a análise fundamentalista. Vejamos cada uma delas:

  •         Análise técnica: também chamada de análise gráfica, se baseia no estudo do movimento do preço das ações a partir do gráfico. Se observa como se comportaram os preços no passado e os analistas determinam padrões de comportamento futuro. A análise técnica leva mais em consideração o histórico de movimentação dos preços do que as perspectivas de mercado, e por isso ela é usada mais em estratégias de curto prazo, principalmente por operadores de day trade.
  •         Análise fundamentalista: considera fatores macroeconômicos, mercado de atuação e indicadores financeiros para avaliar as empresas. Essa metodologia se interessa nos fundamentos da empresa, e não na movimentação dos preços das carteiras de ações. A análise fundamentalista avalia como funcionam os fatores macroeconômicos, de mercado e internos da empresa:

– Fatores macroeconômicos: são aqueles que têm relação com a conjuntura econômica, e levam em consideração a evolução do PIB, taxa de juros, inflação, câmbio, etc.

 – Fatores de mercado: estão relacionados às perspectivas do setor de atuação da empresa e o seu posicionamento perante à concorrência.

 – Fatores internos: estão relacionados diretamente à empresa. É feita uma análise referente às relações internas da empresa e a sua imagem perante a sociedade, considerando a governança corporativa, inclusão social e a sustentabilidade. Também são analisados conceitos contábeis e indicadores financeiros, como a receita líquida de vendas, a receita bruta de vendas, EBITDA e o valor da empresa (EV).

O P/L (preço/lucro) mostra a relação entre o preço de cada ação e quanto ela pagou ao investidor no último exercício. Assim, dá para ter uma ideia de quanto os investidores estão dispostos a pagar pelo lucro da companhia.

É importante analisar o P/L porque não adianta somente olhar o preço do título, é preciso saber quanto ele vai dar de retorno, avaliando a sua relação custo/benefício. Quanto maior for esse indicador, mais o mercado estará motivado a comprar as ações dessa empresa. Uma relação de P/L baixa nem sempre é ruim, pode acontecer quando uma empresa ainda não é muito conhecida pelos investidores.

Para quem procura uma renda mensal ou periódica com os rendimentos das aplicações, o dividend yield é um indicador muito importante. Ele mostra o rendimento que o dividendo proporciona em relação a sua ação.

 

Diversificação internacional

Se você quer ter uma carteira de ações bem diversificada, pense em investir em empresas estrangeiras.

Você pode abrir uma conta no exterior e adquirir diretamente ações de empresas estrangeiras, e para isso é importante escolher criteriosamente uma corretora lá de fora. Mas e quiser algo mais simples, há algumas boas alternativas, que são as BDRs e os ETFs:

  •         BDRs (Brazilian Depositary Receipts): se tornaram mais populares entre os investidores no fim de 2020, e são acessíveis ao público em geral. Esses títulos representam ações de companhias estrangeiras, e são negociados na bolsa brasileira.
  •         ETFs (Exchange Traded Fund): são fundos de investimento que replicam um indicador do mercado financeiro. Há quatro ETFs que representam os índices internacionais que são: IVVB11, SPXI11, XINA11 e EURP11. Eles replicam o S&P500, que é um dos principais índices do mercado financeiro norte-americano.

Sua carteira pode contar com renda fixa e renda variável, mas quanto mais diversificada melhor, seja você um investidor conservador ou agressivo. Como já dizia o ditado, “jamais coloque todos os ovos na mesma cesta”.

De acordo com os seus objetivos e perfil de investidor, fica mais claro qual é a proporção certa de investimentos e os riscos que você está disposto a correr na sua carteira. 

Augusto Maurício

Augusto Maurício

Formado em Engenharia, iniciei no mercado de ações em 2004 realizando operações de Swing Trade. Naquela época não existia muita informação como hoje e meu aprendizado foi baseado em livros e tentativas e erros. Com a prática conquistei mas conhecimento do que perdas, e não foram poucas. Hoje me sinto capaz e faço parte de uma equipe que me motiva a ajudar a transformação na vida das pessoas.

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