A importância de aceitar as perdas no mercado de ações

por | abr 28, 2022 | Educação Financeira

As escolhas que enfrentamos na vida são mistas, há sempre uma chance de perda e uma chance de ganho.

Mas como funciona a cabeça de um investidor? Operador da bolsa de valores?

No mercado de ações, investidores realizam suas estratégias e uma coisa é certa: a satisfação de ganho é menor do que o sofrimento da perda de dinheiro.

Os riscos das oscilações podem fazer com que os investidores tenham receios a respeito das suas escolhas, mesmo que no longo prazo o produto financeiro traga um retorno interessante.

Por isso há ainda, uma grande preferência dos brasileiros pela poupança. Segundo pesquisas, 70% das pessoas que afirmam fazer algum tipo de investimento, optam pela poupança, escolhendo pelo conforto ao invés de uma melhor rentabilidade.

Temos muita resistência à mudanças além da pouca disposição a correr riscos.

Por isso, que o investidor, ao se deparar com uma perda de dinheiro, o primeiro sentimento que vem à tona é o medo do arrependimento.

Esse medo faz com que os investidores tomem decisões precipitadas em cenários de ganho, e assim, assumem maiores riscos em cenários de perdas.

Da mesma forma, quando o investidor se depara com um prejuízo, para evitar o arrependimento prefere continuar com o ativo mesmo em queda. O fato é que assumir o erro de uma compra errada traz bastante desconforto, e por isso o investidor evita ao máximo tornar realidade esse prejuízo.

Assim, opta por não vender seus papéis quando estes estão com o preço inferior ao de compra, mesmo tendo noção que as chances de recuperação são pequenas, mas ele prefere seguir na estratégia inicial.

Arcando com o prejuízo

Quando o inverso acontece, ou seja, quando o ativo está em uma posição de ganho, o investidor busca a satisfação imediata do lucro, vendendo os papéis sem pensar duas vezes.

É quase como um impulso pela venda, quando há valorização, a ideia é garantir algum ganho certo quando o preço do papel está acima do valor de compra.

Note, o quanto as nossas emoções influenciam em nossas decisões financeiras. Até o humor pode impactar nas estratégias de investimento.

Pessoas mais empolgadas e felizes são mais confiantes em suas decisões, investidores deprimidos costumam ser mais detalhistas e indecisos.

A intuição também é algo importante para o processo de tomada de decisão. O que acontece é que investidores principiantes costumam ser mais objetivos e disciplinados em suas escolhas. E isso ocorre por conta da inexperiência e receio de errar.

Investidores mais experientes dão mais importância ao feeling na hora de decidir por seus papéis, pois já conhecem o mercado e com certeza já passaram por situações que os prepararam para lidar com essas emoções.

Para evitar essas inconstâncias, é fundamental que os investidores tenham cuidados nas suas decisões, como por exemplo tentar entender quais são os reais fundamentos de suas escolhas, o que motiva de verdade suas vontades e se seu comportamento financeiro está se baseando em aspectos racionais ou no viés de aversão à perda.

Em segundo lugar, é importante não consultar com frequência o andamento das aplicações, ainda mais quando se fala em investimentos a longo prazo.

Ficar olhando toda hora, pode fazer com que seja criado uma espécie de impulso e necessidade de que é preciso tomar uma decisão a cada ganho e perda.

Evite também fazer escolhas sob pressão em curtos espaços de tempo e desconfie sempre de ofertas que apresentem uma pressa ou oportunidade única.

A importância do Stop Loss

Ninguém gosta de perder e isso é fato. Mas as vezes é melhor ter a certeza que está perdendo pouco do que arriscar perder tudo o que tem. Por isso muitos operadores da bolsa controlam suas perdas com o Stop Loss.

O investidor ou trader da Bolsa de Valores tem que ter em mente essas estratégias: ponto de entrada, aumento ou redução da posição, e o stop loss ou, como é conhecido também, trava de perda.

O conceito de stop loss ainda gera muitas dúvidas entre os traders, principalmente para os iniciantes.

Para entender melhor, um stop é uma ordem que você pode programar para ser disparada à corretora assim que atingir um determinado preço.

O nome stop está vinculado ao conceito de ordem de disparo ou gatilho, mas, por estar atrelada a uma ordem limite, muitas vezes é confundida.

Para essas ordens que são definidas, também é possível programar uma margem de negociação.

O stop não é um presságio pessimista, mas é um grande aliado no gerenciamento de risco.

Também há o termo loss, que representa sua tradução literal – perda. O stop loss é a perda limite, a perda máxima, que você aceita para uma determinada operação no mercado financeiro.

Mas por que é preciso determinar o quanto você quer perder? Todo cuidado é pouco.

O mercado de renda variável é um mercado de risco e todos os dias muito dinheiro é negociado na Bolsa de Valores.

Ainda, há o aspecto psicológico. Ansiedade, impaciência e nervosismo fazem parte da vida do trader e é difícil ter um gerenciamento emocional, por isso o stop loss pode ajudar, dando segurança de encerrar uma operação evitando uma perda excessiva.

É importante não confundir o stop loss com a trava de perda, pois ela é uma funcionalidade que está atrelada à plataforma utilizada (como o Profit) e não às ordens enviadas à Bolsa de Valores.

Podemos falar que há três tipos de Stop Loss:

  •         Stop Técnico: é o stop que é embasado na tendência do ativo, geralmente posicionado abaixo do último fundo da formação gráfica, pensando em operação de compra, ou último topo, pensando na operação de renda. Esse critério leva em consideração os suportes e resistências, pontos de preço nos quais o ativo tem dificuldades para subir ou cair.
  •         Stop Financeiro: alguns stops podem ficar muito distantes do ponto de entrada comprometendo seu capital e o seu gerenciamento de risco. Por isso, existe a recomendação de se ter uma quantia adequada como garantia para começar a operar, principalmente se estiver operando no mercado futuro em operações alavancadas.
  •         Stop Percentual: oferecido por muitas corretoras, é uma opção que intermedia o técnico e o financeiro.

Como saber qual é o stop ideal? Depende! Somente você pode entender o quanto está disposto a perder ou arriscar nos seus trades. Por isso é importante analisar com cautela todas as situações que expusemos acima para entender o seu momento.

Augusto Maurício

Augusto Maurício

Formado em Engenharia, iniciei no mercado de ações em 2004 realizando operações de Swing Trade. Naquela época não existia muita informação como hoje e meu aprendizado foi baseado em livros e tentativas e erros. Com a prática conquistei mas conhecimento do que perdas, e não foram poucas. Hoje me sinto capaz e faço parte de uma equipe que me motiva a ajudar a transformação na vida das pessoas.

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