A variação do dólar e a importância na economia do Brasil

por | jun 23, 2022 | Educação Financeira

Diariamente ouvimos na televisão e nos principais veículos de comunicação como o dólar influencia na economia brasileira.

Desde o preço das passagens de avião até o preço de algum alimento no supermercado, o dólar, que é a moeda mais comercializada do mundo, afeta o preço e interfere na capacidade da indústria brasileira de exportar, em um jogo intrincado no qual, nem sempre é possível prever as respostas.

Antes de falarmos mais sobre isso, vamos entender os conceitos de dólar comercial, turismo e dólar futuro.

  •         Dólar a vista é o nome dado a moeda negociada no balcão entre instituições financeiras e registradas na Câmera de Câmbio da Bovespa. Os valores não são divulgados publicamente.
  •         Dólar comercial é o que vale para transações de importação e exportação. O valor varia conforme a demanda da moeda no mercado
  •         Dólar turismo: é o dinheiro que pode ser comprado nas casas de câmbio no Brasil, e o que você paga quando faz compras internacionais. O dólar turismo é mais caro que o comercial.
  •         Dólar paralelo: é o negociado fora do regulamento, como quando a pessoa guarda dólar em casa e vende para um amigo. Também se refere a moeda comprada em uma casa de câmbio do outro lado da fronteira do Paraguai.
  •         Dólar futuro: é um tipo de negociação na bolsa, onde você consegue negociar hoje o preço do dólar com vencimento no futuro. Essas operações servem para especulação e também para as empresas se protegerem da variação da moeda.

Como o dólar interfere na economia brasileira

Você já deve ter se perguntado se o fato do dólar estar alto, se é bom ou ruim.

A resposta depende. O primeiro ponto para pensar é a influência do preço do dólar na economia brasileira.

O dólar mais alto é bom para quem exporta mercadorias do Brasil para fora. Com a nossa moeda mais fraca, os produtos nacionais se tornam mais competitivos.

Nossas commodities mais exportadas são a soja, o petróleo cru e a cana e são negociadas em dólar. Os produtores podem preferir cada vez mais exportar a vender no mercado interno, o que leva ao aumento do preço da carne por exemplo.

O inverso também é verdadeiro. Com o dólar baixo e o real valorizado, há mais poder de compra para quem precisa importar, como setores da indústria que dependem de insumos comprados fora do Brasil para poder produzir. Ou seja, podemos concluir que o dólar alto é bom para quem recebe em dólar e ruim para quem paga na moeda americana.

Um setor que sempre sofre com as oscilações do dólar é o turismo. A alta do dólar encarece o preço das passagens e o poder de compra do brasileiro no exterior. Mas por outro lado, o dólar alto aquece o turismo interno, fazendo com que o Brasil seja um destino mais atraente para os estrangeiros.

Os efeitos da alta ou baixa do dólar, com exceção do turismo, não aparecem de um dia para o outro. Economistas usam a linguagem “pass-through cambial”, que é o nome dado ao momento em que a variação cambial começa a se refletir nos preços e na inflação.

Mas porque o dólar sobe? Bom, existem três fatores que impactam na demanda por dólar e acaba causando a variação da moeda:

  •         Déficit da balança comercial, que ocorre quando o Brasil mais importa do que exporta
  •         Quando há grande quantidade de turistas brasileiros no exterior e isso gera uma demanda maior por dólares que vão ser usados fora do país.
  •         Quando os juros nos Estados Unidos sobem, os investidores brasileiros acabam investindo fora, pois os rendimentos ficam mais atrativos.

Temos também alguns fatores que causam a queda do dólar:

  •         Superávit comercial, que ocorre quando as empresas brasileiras vendem mais produtos no exterior. Mais dólares entram no Brasil, e assim a sua oferta aumenta.
  •         A entrada de muitos estrangeiros no Brasil trás dólares para dentro do país.
  •         Quando os juros brasileiros sobem, os investidores estrangeiros se interessam em investir mais no Brasil, pois o retorno é mais atrativo.
  •         Quando o Brasil cresce economicamente, o risco do país fica menor e consequentemente o valor do dólar cai.

Por que é importante acompanhar o dólar

Como vimos, a variação do dólar afeta diretamente a economia brasileira.

Por isso, mesmo a nossa moeda sendo o real, temos que ficar de olho no valor do dólar.

Ele impacta tão forte na economia, que o seu poder influência entre os outros países. Mesmo que os Estados Unidos passe por uma crise econômica, o dólar continua usufruindo da confiança internacional.

A alta do dólar pode afetar desde as coisas mais simples como o preço do pão, até as mais complexas como a exportação, o mercado financeiro e o PIB do Brasil.

A variação do dólar afeta a vida de todos os brasileiros, e é um reflexo de vários fatores na economia.

Se o mercado tem a percepção de que um país está em uma situação política turbulenta, os investidores tendem a tirar seu dinheiro de lá. Se o governo demonstra que a economia está forte, por outro lado, entra mais moeda no país.

De imediato a variação do dólar impacta primeiro quem vai viajar, e a médio e longo prazo a variação do dólar também pode afetar o dia a dia do consumidor, já que impacta os custos das empresas.

As indústrias que importam itens, por exemplo, acabam repassando essa variação ao produto final, o que por sua vez, mexe na inflação e no bolso do consumidor.

Na pandemia, o valor do dólar oscilou muito. O preço do dólar disparou em boa parte graças à alta demanda pela moeda americana, considerada segura pelos investidores do mundo todo, e nesse momento muitos procuravam segurança.

Assim, com mais gente comprando dólar, o preço subiu e a diferença em relação ao real cresceu.

Hoje o Ministério da Economia afirma que o Brasil já superou os impactos econômicos da pandemia e está pronto para crescer, encerrando 2021 com R$ 822 bilhões de investimentos contratados para os próximos anos.

Augusto Maurício

Augusto Maurício

Formado em Engenharia, iniciei no mercado de ações em 2004 realizando operações de Swing Trade. Naquela época não existia muita informação como hoje e meu aprendizado foi baseado em livros e tentativas e erros. Com a prática conquistei mas conhecimento do que perdas, e não foram poucas. Hoje me sinto capaz e faço parte de uma equipe que me motiva a ajudar a transformação na vida das pessoas.

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